domingo, 9 de outubro de 2011

Esta é pra você.
Que um dia sonhou não ser igual e traçar sua história de um modo do qual você pudesse se orgulhar. Que viveu de sonhos e castelos, pássaros e cores, sentidos e diferença e que tenta quebrar com unhas e dentes esse muro de concreto que o pôs do lado de fora da onde se encontrava tudo aquilo em que você acreditava.
Acredite, ele ainda está lá em algum lugar. Esse sonho que você perdeu, esse mundo que você deixou, as histórias que você escreveu, tudo aquilo em que acreditou. Eles ainda estão lá e algum lugar e estarão até o último dia de sua vida. Além do último dia de sua vida. Esperando um próximo coração para senti-los de perto, assim ele vai continuar.
E nesse lugar onde o Sol nem sempre se põe e a noite tem um gosto doce, com estrelas recém feitas, árvores alaranjadas e sonhos pendurados na última pétala de cada flor, existe um pedaço seu que resiste ao tempo, a todas as circunstâncias, sobrepõe a realidade e te aguarda firmemente, na esperança de que um dia você volte pra continuar sua trajetória.

- Isabelle Albuquerque

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Infinito

Baseado em história real, histórias reais.
Àquelas de todas as meninas, todos os meninos que em qualquer momento de sua vida se sentiram bobos e entregues, vulneráveis demais para se sentirem bem e mesmo assim,
flutando no seu próprio mundo.
- Você está muito bonita, sabia?
Sorri. E como sempre, não tive reação.. nem resposta. Tentei reagir como se recebesse aquele tipo de elogio todos os dias. E eu recebia, mas não dele.
- Ah, obrigada ! - Se eu fosse do tipo de garota que fica vermelha, esse seria o momento em que eu ficaria. Por sorte ele não podia sentir o meu rosto pegando fogo. Por sorte.
- Haha - ele riu - você tinha que ver a sua cara.
- Hã ? - perguntei - Por quê ?
- Você fez uma cara engraçada, quando te elogiei. Uma cara diferente..
- Ah! - Cheguei a conclusão de que não tinha como, de alguma forma, ele não perceber. Se meu rosto não estava, a minha respiração devia estar vermelha, o meu olho, o meu sorriso. Alguma coisa entregava o meu constragimento, e eu não conseguia evitar.
Eu só não sei o que me puxava tanto pra ele e me fazia ficar desse modo, tão...desconcertada. O que me fazia ser tão diferente e tão inconstante nos meus sentimentos. O que me fazia adorar estar perto dele e odiar adorar, como se fosse algum erro. Qual erro? Depender, era essa a palavra. Eu odiava saber, mesmo que só pra mim, que dependia internamente de alguém sem saber se essa pessoa dependia de mim. E em todas as histórias perfeitas eu adoraria internamente, mas seria adorada interna e externamente, sem limites. O amor compulsivo, doentio e deliciosamente incontrolável iria vir do lado de lá e não de mim, logo eu, sempre tão controlada em tudo. Sempre com as rédeas. E olha só, onde estou agora. Quem me reconheceria.
- Bem, eu tenho que ir... está tarde e eu já passei do horário prometido. Estou bem atrasada, vou acabar recebendo um esporro - ri nervosamente.
- Calma aí, Anne - então ele me puxou pra perto dele e eu senti enquanto a aproximação ia ficando perigosa, porque tudo passou a ser abstrato demais. tinha uma noite lenta, com pessoas a nossa volta, carros e barulho ao longe, sem nitidez, e tinha um chão sob os meus pés.  Deus, tinha um chão sob os meus pés, como não consegui senti-lo? E mesmo assim, com todo um cenário. Só havia nós dois, Só procurávamos a nós, porque só encontraríamos em nós e tudo passou a ser infinito demais, porque o tempo passava e eu só consegui observar o quanto íamos ficando tão perto um do outro, muito perto até que eu me aproximei bruscamente e dei nele um abraço. Pronto! E ali tinha o cheiro dele, a textura da camisa, o cabelo dele. Tudo perto demais. Deus, eu nunca me livrava disso.
  Me afastei, dei um sorriso bem iluminado do tipo que diz:" bem, é isso então... por aqui ficamos" e olhei pro lado rapidamente enquanto tomava fôlego para olhar novamente para ele, só uma pequena respiração mental enquanto criava a força necessária para encará-lo e fingir que me sentia extremamente confortável enquanto ele me fitava. Me preparei para a nova despedida, mais firme dessa vez o "agora ou nunca". Dei aquele pequeno indício de que iria me afastar, rumo a minha casa, dessa vez.
- É assim então? - seu sorriso torto, aquele que o deixa com cara de criança que apronta. Menininho arteiro, aquele que o deixa tão assustadoramente encantador - Não tenho direito nem a um... - e eu já sabia o que ia vir, porque internamente torcia para que viesse - Nem a um beijo? - Perguntou ele, com uma cara de expectativa de quem já sabe a resposta, mas quer avaliar qual vai ser a reação da pessoa do outro lado, de que modo vai ser essa resposta. E a julgar pela aparência divertida em seu rosto, deveria estar achando muito engraçada toda a minha confusão interna e só Deus sabe que cara eu devo ter feito.
  Pode parecer bobo, mas a palavra "beijo" sendo usada por ele, naquele momento se tornou algo místico, algo muito nosso e eu dei uma leve estremecida, interna e imperceptivelmente, claro. Eu demoraria a perceber o que foi aquilo que senti, até chegar a essa conclusão. Uma estremecida interna. E na boca de mais ninguém, essa palavra se tornou tão correta e limpa. Porque ele sempre teria direito a um beijo e, mesmo assim, toda aquela cortesia e aquela aparente "dúvida" ainda tornava tudo mais gostoso.
  Então eu ri, e olhei para o lado. Aquele ritual de sempre da força antes de olhá-lo e quando virei novamente para ele, ele me observava e ria, ele realmente deveria estar se divertindo muito, NOSSA !
  E depois me puxou, aos poucos, como quem se certifica se tem autorização e eu sinto a sua mão quente na minha, e nem sei mais se somos dois adolescentes que se conheceram há algum tempo porque a minha mão já estava preparada para a dele, elas se completavam e eu fecho a minha mão em torno da sua, como quem faz isso há anos, de modo involuntário. E agora sim, a aproximação estava ficando perigosa porque eu já nem tenho a noção do que está a volta de mim ou do tempo, é tudo lento, programado pra ser perfeito. Enquanto vou me aproximando coloco minha mão direita no cabelo dele e sinto como tudo nele me soa tão meu e cada coisa a partir daí é natural. O carinho na parte detrás da cabeça dele, meus olhos se fechando involuntariamente, meu tato se apurando, se preparando para tudo que venha a seguir e a boca dele na minha, a princípio conhecendo o território, depois o dominando. E logo eu que sempre duvidei de tudo e fui exageradamente chata e racional, senti que não sabia de nada e que tudo, tudo estava além de mim, flutuando em algum lugar. Onde flutuam os melhores amores, os beijos, onde não existem horas e onde tudo, com ele, era absolutamente infinito.

sábado, 6 de agosto de 2011

Peter Pan.

Eu tenho sentido sua falta.
Falta de tudo aquilo que deveríamos ser. E que talvez essa sua cabeça nos impeça de se tornar.
Do seu cheiro que é meu, seu jeito que é meu. Seus defeitos que são mais meus que suas qualidades.
Seu talento. Suas conversas. E não aquelas nas quais no limitamos, cada um olhando pra uma tela
e lendo coisas que deveriam ser ditas cara a cara. Porque eu gosto dos seus olhos e de olhar pra eles.
Do modo como eles são vivos e infantis. E não importa o que diga, ou a imagem que construam de ti ou
a imagem que você próprio construa de ti eu sempre vou vê-lo como aquela pessoa que precisa de proteção.
Aquele menino, com aqueles olhos. Vivos demais, alegres demais, curiosos demais para um adulto.
Meu eterno Peter Pan.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Memories...

Você pode se prender a hábitos, pessoas que passaram, gestos e carinhos.
Se apegar a rotinas, a sorrisos, lembranças e não querer deixá-las partirem.
Você pode a cada passo que der para frente dar uma espiadinha para trás e ver o quanto foi adiante,
consequentemente, você sabe, irá perceber quantas coisas deixou pelo caminho.
Irá sentir a dor, irá sentir saudade. Não terá cabeça para olhar para frente,
vai comparar caminhos, trajetos, lugares. Um tipo de coisa inigualável que não se
pode repetir sendo, por isso, tão importante e bonito. 
Terá sempre um pé lá. Lá pra trás. Um pé, uma mão, a cabeça... e qualquer coisa que
te faça sentir um pouco mais parte de um tempo que não vai voltar.
Não é uma perda de tempo, é saudade. É saudável. É normal !
Uma pena é se perder no passado tendo tanto futuro e tantas coisa novas pra ser ver,
quando olhar novamente para trás. Quando der o próximo passo.
Sabe não podemos esquecer o principal... o passado já foi futuro um dia e não estaria lá,
se não tivéssemos coragem de vivê-lo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Do it.

                  E eu sempre fui uma pessoa avessa a mudanças, muito medrosa nesse aspecto. Medo do desconhecido, medo de falhar em um território diferente. Medos, muitos medos. Mas, mais do que medos, eu sempre fui uma pessoa carregando uma grande dose de coragem. Coragem pra enfrentar esses medos, medos esses que muitas vezes sussuravam para mim o caminho mais fácil. Você nunca irá conseguir, dizia ele, desista! E esses sussuros abalavam boa parte da minha estrutura. Você não sabe o que vale mais a pena se arriscar com um medo absurdo e plantando com a leve aparência de que não obtêm resultados ou deixar tudo para lá, começar algo diferente, mas sem ter a noção do que poderia ter sido. Esses medos são fortes, muito fortes e é como se eles se tornassem sua maior fraqueza, seu pensamento 24 horas por dia. Aliás os problemas tem esse poder, eles ocupam a nossa mente de um modo que um pensamento tranquilizante nunca iria conseguir. Mas eu nunca gostei de fraqueza, nunca gostei de me sentir fraca, nunca gostei de desistências e daí surge toda a força de vontade. Força pra tentar mais uma vez e quantas vezes forem necessárias porque você sabe que tem uma chance, mesmo que mínima, de dar certo e você só precisa se agarrar a ela e vê-la como única opção. E é assim que a maior parte dos meus finais felizes são construídos, a base de muita luta interna, choros secos e sofrimentos silenciosos, e eu sei que dessa vez não vai ser diferente. Eu consigo, qualquer pessoa consegue. Eu consigo!
  " E desistir diante dos obstáculos é tão difícil quanto contorná-los, com uma significante desvantagem: Você nunca irá saber o que é ir além e o quanto pode ser prazerosa a vida do outro lado."

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Todas as coisas.

E eu fico aqui me remoendo pensando em todas as coisas que eu queria poder falar. Pensando em tudo aquilo que eu queria conseguir traduzir em palavras. Na verdade eu já vi esse filme uma vez e não me surpreenderia se ele terminasse do mesmo modo. Eu sempre me iludo.. não com as pessoas, mas comigo. Eu me iludo ao acreditar que eu realmente esteja sentindo tanto mesmo estando fria em relação a tudo. Se é tão bem falado, deveria ser mais intenso não ? Deveria ser melhor ... Mas eu prefiro não pensar. Prefiro sempre acreditar que sinto e fabricar a minha própria paixão. Mas a vida não é fácil assim , um dia você se depara com a realidade e vê todas as coisas que você desistiu de acreditar, ali. Na sua frente. Todas as sensações misturadas e um medo de que seja bom de mais pra ser seu. E a insegurança é tão grande... um medo de disperdiçar tudo aquilo que ainda nem tem com qualquer passo errado. E você finge não se importar, você QUER não se importar e tenta ignorar de todas as formas, se todas as vezes que você alimentou excessivamente não passou de uma fantasia, dessa vez vai ser diferente... Mas você não consegue fazer com que seja diferente, você não quer que seja diferente. Porque você está sentindo, você está vivendo isso e parece tão perfeito agora, tão real... e é como se tudo funcionasse em torno disso. Não querendo intensificar nem colocar as coisas numa proporção maior. Definitivamente, as cores estão mais fortes, as coisas estão mais intensas e cada situação básica do dia-a-dia está diferente, mas você nem ao menos sabe disso... nem creio que vá saber um dia. Não teria como traduzir tudo o que eu penso, não teria como transformar em palavras. Talvez seja esse o mistério que nos alimente, talvez seja disso que eu vivo. Talvez isso que parece uma barreira entre nós, não passe de um sentimento compartilhado... não um mistério, mas um segredo. o NOSSO segredo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Inconstâncias

É incrível como minha auto estima oscila entre extremamente elevada, e o fundo do poço. Às vezes a insegurança bate e parece que eu só observo do lado de fora, tudo aquilo que eu gosto acontecendo... Tem coisas que machucam tanto, mesmo sem terem acontecido realmente. Mas eu sei que você não entende o que eu digo, ninguém nunca entende ...